Aumento de riscos cibernéticos no sistema financeiro nacional

Alerta do Banco Central sobre Aumento de Riscos Cibernéticos no Sistema Financeiro Nacional

O Banco Central do Brasil (BC) emitiu um alerta crítico às instituições financeiras a respeito de uma movimentação atípica envolvendo criptomoedas — especialmente a stablecoin Tether (USDT). O comunicado, direcionado à Febraban, ABFintechs e ABBC no dia 17 de agosto de 2025, reforça a necessidade de atenção redobrada aos potenciais riscos de ataques ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), incluindo o Pix. 

 

Contexto e antecedentes recentes

Este é o segundo alerta do BC em menos de dois meses sobre ameaças cibernéticas ao sistema financeiro nacional. No início de julho, um ataque à C&M Software — provedora de infraestrutura para instituições financeiras — resultou em desvio de mais de R$ 500 milhões via Pix em poucas horas, afetando seis bancos e provocando a interrupção emergencial de conexões ao SPB. 

 

Implicações da movimentação atípica de criptomoedas

A Tether (USDT) participa intensamente das operações no universo cripto, inclusive servindo como contraparte em transações via Pix e corretoras. O BC identificou buscas fora do padrão por USDT como possível indício de preparação para ataques coordenados. A prática impõe a necessidade de fortalecer monitoramento e prevenção contra tentativas de exploração de vulnerabilidades no sistema financeiro.

 

Medidas tomadas pelas instituições financeiras

Após o alerta, a Febraban orientou bancos e fintechs associados a reforçar protocolos de segurança, incluindo:

  • Mobilização dos Comitês de Prevenção a Fraudes e Cibersegurança;

  • Ampliação do monitoramento em horários de maior risco, especialmente noturno;

  • Bloqueio de transações suspeitas, em especial aquelas com destino a plataformas de criptomoedas;

  • Adoção de verificação reforçada para transferências de alto valor.

 

Desafios estruturais e de governança

A recorrência de alertas sinaliza vulnerabilidades sistêmicas, especialmente em provedores de infraestrutura de terceiros (como a C&M Software), que aumentam o risco de ataques em cascata. A aceleração da digitalização demanda governança de TI e cibersegurança robustas, integrando frameworks como ISO 27001 e Governança Zero Trust para proteção efetiva. 

 

Conclusão

O alerta do Banco Central evidencia os desafios contínuos da cibersegurança no sistema financeiro brasileiro. A movimentação atípica envolvendo criptomoedas como a Tether não é uma ameaça isolada, mas um sintoma de um ambiente cada vez mais interligado e exposto. Mitigar esses riscos exige uma abordagem multifacetada: vigilância constante de transações, robustez na governança de TI, resposta coordenada diante de incidentes e governança ativa de terceiros. Sem isso, o SPB permanece vulnerável a ações que podem comprometer tanto a estabilidade quanto a confiança no sistema financeiro nacional.

 

Referências bibliográficas