Expansão explosiva do seguro cibernético no Brasil

Expansão explosiva do seguro cibernético no Brasil: Implicações para a segurança empresarial

O mercado brasileiro de seguros contra ataques cibernéticos teve uma expansão surpreendente nos últimos anos. Em 2019, foram contratadas apólices totalizando R$ 21,4 milhões em prêmios. Em 2024, esse valor saltou para R$ 237,5 milhões — um crescimento de onze vezes, de acordo com dados da corretora de resseguros Guy Carpenter. Esse cenário reflete a crescente conscientização das organizações sobre a necessidade de proteger-se contra impactos financeiros, operacionais e reputacionais de incidentes digitais.

 

Fatores que impulsionam o crescimento

Esse aumento explosivo está diretamente ligado ao crescimento expressivo das fraudes digitais no Brasil. Segundo a ADPP (Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor), as ocorrências saltaram 45% em 2024, totalizando 5 milhões de registros. Em paralelo, as perdas relacionadas ao Pix cresceram 70%, atingindo quase R$ 5 bilhões. Esses números reforçam que o risco cibernético já não é uma mera hipótese, e sim uma realidade tangível para empresas de todos os portes.

Além disso, o avanço da inteligência artificial vem sofisticando os vetores de ataque. Um estudo da Verizon revela que os casos envolvendo IA dobraram na América Latina, com métodos como engenharia social e ataques diretos a aplicações web ganhando destaque.

 

Panorama atual e dinâmica do setor de seguros

Em 2025, apenas no primeiro trimestre, os prêmios de seguros cibernéticos acumulados chegaram a R$ 66,3 milhões — um ritmo que indica consolidação da tendência. As seguradoras AIG, Zurich e Tokio Marine concentraram 81% das apólices emitidas no ano passado, demonstrando forte concentração do mercado.

Boa parte do risco segurado (72,5%) foi cedido a resseguradoras, que funcionam como respaldo para eventos de grande impacto financeiro, evidenciando a complexidade da gestão desses riscos no mercado nacional.

 

Desafios e maturidade do mercado brasileiro

Embora o crescimento seja notável, o mercado de seguros cibernéticos brasileiro ainda apresenta lacunas — como a oferta limitada de coberturas contra riscos emergentes (por exemplo, ataques via deepfake, IoT ou riscos reputacionais). Um relatório da Susep ressalta que coberturas comuns em outros países ainda não são amplamente disponibilizadas aqui.

Ainda assim, o Brasil tem se destacado globalmente: segundo relatório da McKinsey, o seguro cibernético figura entre os segmentos com maior taxa composta de crescimento anual (CAGR), superior a 100% desde 2019.

 

Conclusão

A explosão do mercado de seguros contra ataques cibernéticos no Brasil reflete que empresas finalmente reconhecem os riscos como reais e potencialmente devastadores. A evolução do setor, ainda que significativa, requer maior diversificação de produtos, inclusão de coberturas sofisticadas e conscientização ampla sobre governança e segurança digital. Seguradoras, resseguradoras e reguladores precisam alinhar esforços para ampliar o alcance e a eficácia dessas soluções de mitigação, transformando o seguro cibernético em um componente central da resiliência digital empresarial.

 

Referências bibliográficas