DeepLoad: A nova geração de malware com ClickFix e WMI para Roubo de Credenciais
O cenário de ameaças cibernéticas evolui constantemente, impulsionado por técnicas cada vez mais sofisticadas de evasão e engenharia social. Um exemplo recente dessa evolução é o malware DeepLoad, uma nova ameaça que combina técnicas modernas como ClickFix, execução via PowerShell, injeção em memória e persistência via WMI.
Essa campanha representa um avanço significativo na forma como atacantes exploram o comportamento humano e os recursos nativos do sistema operacional para comprometer dispositivos e roubar credenciais sensíveis.
1. O que é o malware DeepLoad
O DeepLoad é um loader malicioso projetado para iniciar cadeias de ataque complexas, com foco principal na coleta de credenciais armazenadas em navegadores e sessões ativas.
Diferente de malwares tradicionais, ele não depende apenas de arquivos persistentes em disco. Sua operação envolve:
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Execução em memória
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Uso de processos legítimos do Windows
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Ofuscação avançada (possivelmente assistida por IA)
Pesquisadores indicam que o malware utiliza técnicas de injeção de processo e ofuscação inteligente para evitar detecção por ferramentas de segurança convencionais.
2. Vetor inicial: Engenharia Social com ClickFix
O ataque começa com uma técnica de engenharia social chamada ClickFix, que engana o usuário simulando a necessidade de corrigir um erro no sistema.
Funcionamento do ataque:
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O usuário acessa uma página maliciosa
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É instruído a executar um comando no Windows (via “Executar”)
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O comando ativa o PowerShell
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Um script malicioso é baixado e executado
Essa abordagem explora a confiança do usuário e contorna mecanismos tradicionais de proteção, pois depende de uma ação legítima iniciada manualmente.
Campanhas ClickFix são amplamente utilizadas para distribuir malwares de roubo de credenciais e trojans de acesso remoto.
3. Técnicas avançadas de evasão
O DeepLoad incorpora múltiplas camadas de evasão, tornando sua detecção extremamente difícil.
3.1 Uso de Binários Legítimos (Living-off-the-Land)
O malware utiliza ferramentas nativas como:
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mshta.exe para execução remota
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PowerShell para carregamento dinâmico
Isso reduz a necessidade de arquivos maliciosos visíveis.
3.2 Injeção em processos confiáveis
O payload é injetado em processos legítimos, como:
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LockAppHost.exe (tela de bloqueio do Windows)
Essa técnica permite que o malware opere disfarçado dentro de processos confiáveis.
3.3 Execução em memória (Fileless Malware)
O DeepLoad evita gravação em disco ao:
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Gerar DLLs temporárias com nomes aleatórios
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Executar código diretamente na memória
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Utilizar compilação dinâmica em C# via PowerShell
Essa abordagem dificulta análises forenses e detecção por antivírus tradicionais.
3.4 Injeção APC (Asynchronous Procedure Call)
A técnica APC permite:
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Inserir código malicioso em processos suspensos
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Executar payloads sem criar artefatos detectáveis
Isso torna o ataque praticamente invisível para soluções baseadas em assinatura.
4. Persistência com WMI: O diferencial estratégico
Um dos aspectos mais perigosos do DeepLoad é o uso do Windows Management Instrumentation (WMI) para persistência.
Como funciona:
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O malware cria eventos WMI maliciosos
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Após alguns dias, o código é reexecutado automaticamente
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Não há necessidade de interação do usuário
Essa técnica permite reinfectar o sistema mesmo após limpeza aparente, ampliando o tempo de permanência do atacante.
5. Roubo de credenciais em tempo real
O roubo de dados ocorre logo nas fases iniciais do ataque, incluindo:
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Senhas armazenadas em navegadores
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Cookies de sessão
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Dados de autofill
Mesmo que o loader principal seja interrompido, os dados já podem ter sido comprometidos .
Esse comportamento está alinhado com tendências recentes, onde o roubo de credenciais continua sendo uma das principais ameaças globais, com milhões de dados comprometidos anualmente.
6. Impactos para empresas e usuários
A campanha DeepLoad apresenta riscos significativos:
6.1 Comprometimento de Contas
Credenciais roubadas podem ser usadas para:
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Acesso a sistemas corporativos
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Fraudes financeiras
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Ataques de credential stuffing
6.2 Movimentação lateral
Uma única credencial pode permitir:
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Escalada de privilégios
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Acesso a redes internas
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Implantação de ransomware
6.3 Persistência invisível
O uso de WMI dificulta:
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Detecção por antivírus
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Remoção completa da ameaça
7. Boas práticas de mitigação
Para usuários:
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Nunca executar comandos sugeridos por sites desconhecidos
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Evitar clicar em “correções rápidas” suspeitas
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Utilizar autenticação multifator (MFA)
Para empresas:
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Monitorar uso de PowerShell e mshta.exe
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Implementar detecção comportamental (EDR/XDR)
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Auditar eventos WMI regularmente
Para equipes de segurança:
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Realizar testes de Red Team com foco em engenharia social
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Adotar políticas de Zero Trust
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Monitorar atividades em memória (fileless attacks)
8. Tendências e evolução do cibercrime
O DeepLoad demonstra uma mudança clara no cenário de ameaças:
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Uso crescente de IA para ofuscação
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Ataques baseados em comportamento humano
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Redução da dependência de arquivos maliciosos
Além disso, o modelo Crime-as-a-Service (CaaS) tem facilitado a disseminação dessas técnicas, permitindo que atacantes menos experientes utilizem ferramentas altamente sofisticadas.
Conclusão
O malware DeepLoad representa um novo patamar de sofisticação em campanhas de roubo de credenciais, combinando engenharia social avançada, execução em memória e persistência furtiva via WMI.
A principal lição é que a segurança cibernética não pode mais depender exclusivamente de assinaturas ou detecção baseada em arquivos. É necessário adotar uma abordagem centrada em comportamento, contexto e inteligência de ameaças.
Em um cenário onde o usuário é frequentemente o elo mais fraco, a conscientização e a educação digital tornam-se tão importantes quanto as tecnologias de defesa. Organizações que investirem em visibilidade, resposta rápida e treinamento contínuo estarão mais preparadas para enfrentar ameaças como o DeepLoad.
Referências Bibliográficas
- CAVEIRA TECH. Malware DeepLoad usa ClickFix e WMI para roubar credenciais de navegador. Disponível em: https://caveiratech.com/post/malware-deepload-usa-clickfix-e-wmi-para-roubar-credenciais-de-navegador-9313697
- OKTA Threat Intelligence. How ClickFix campaigns deliver credential-stealing malware. Disponível em: https://www.okta.com/pt-br/blog/threat-intelligence/how-this-click-fix-campaign-leads-to-redline-stealer/








