Mais da metade das grandes empresas brasileiras têm segurança cibernética insatisfatória
Uma recente coluna do Estadão, assinada por Fernando Francisco no canal BROAD, destaca um dado alarmante: mais da metade (52,4 %) das grandes empresas industriais brasileiras não consideram a segurança cibernética uma prioridade estratégica. Embora essas organizações reconheçam a importância da proteção digital, ela ainda não recebe atenção adequada das lideranças — muitas vezes encarada como uma questão técnica e não corporativa.
O cenário preocupante do setor industrial
Segundo levantamento da FIESP, apenas 44,2 % das companhias possuem estrutura mínima voltada à cibersegurança ou segurança da informação. Um terço delas não promove ações de conscientização entre colaboradores, enquanto apenas 21 % contam com um plano eficaz de resposta a incidentes e incríveis 15,5 % chegam a testá-lo. A escassez de profissionais capacitados e a alocação insuficiente de recursos são fatores que expõem essas empresas a riscos operacionais e financeiros graves.
Gap entre discurso e preparo real
Apesar de 84 % dos executivos afirmarem que a cibersegurança é muito importante, apenas 23 % realmente priorizam esse tema no orçamento. Somente 35 % das organizações têm uma área dedicada à segurança digital, e apenas 25 % planejam suas ações de forma anual. Mesmo entre as que possuem planos de resposta, apenas um terço realiza testes preventivos periódicos, e a dificuldade de contratação de profissionais qualificados continua sendo um entrave significativo.
O alto custo da inação
Pulverizada em custos diretos — como interrupção de serviços, recuperação e multas — e indiretos (reputação e confiança), a falta de maturidade em segurança digital representa uma ameaça sistêmica. Estimates apontam prejuízos médios de US$ 1 milhão por incidente. Sem processos robustos de governança e resposta, as empresas ficam vulneráveis a ataques que podem comprometer infraestrutura crítica, propriedade intelectual e continuidade dos negócios.
Conclusão
O Brasil enfrenta uma síndrome recorrente: reconhecer a urgência da cibersegurança, mas falhar ao transformá-la em estratégia corporativa efetiva. A falta de planos estruturados, investimentos e governança mostra que, para muitas empresas, segurança ainda é reflexo — não prioridade. A blindagem digital não pode depender apenas de percepção: precisa de planejamento, recursos, treinamento contínuo e envolvimento da alta gestão.
O alerta é claro: sem evolução nessa postura, o risco se torna não apenas técnico, mas existencial. Segurança cibernética não é um custo — é um escudo contra o esfacelamento dos negócios digitais.
Referência Bibliográfica:
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Mais de metade da indústria não trata cibersegurança com prioridade, diz pesquisa da Fiesp. IstoÉ Dinheiro. Disponível em: https://istoedinheiro.com.br/metade-da-industria-nao-trata-ciberseguranca-com-prioridade-diz-pesquisa-da-fiesp/








