Quando a inteligência artificial vira ferramenta de ataque: criminosos abusam do Claude para disseminar malware
A evolução da inteligência artificial generativa está transformando a maneira como pessoas e empresas produzem conteúdo, desenvolvem software, analisam informações e automatizam tarefas. Ferramentas baseadas em modelos de linguagem passaram rapidamente de simples assistentes conversacionais para plataformas capazes de executar tarefas complexas, interagir com arquivos, consultar informações, produzir código e, em determinados contextos, atuar como agentes digitais.
Essa evolução, entretanto, também está criando novas oportunidades para criminosos.
Um caso recentemente divulgado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo (Sindpd) chama atenção justamente por demonstrar como uma plataforma legítima de inteligência artificial pode ser abusada como parte de uma operação criminosa.
Segundo a publicação, uma campanha de cibercrime teria utilizado um recurso oficial associado ao Claude, plataforma de inteligência artificial desenvolvida pela Anthropic, para disseminar malware capaz de roubar informações sensíveis de funcionários de pelo menos 29 organizações.
Informações complementares divulgadas pelo Canaltech, com base em investigação da empresa de segurança Huntress, apontam para uma campanha na qual criminosos utilizaram uma página aparentemente legítima associada ao domínio do Claude para induzir vítimas a baixar um falso aplicativo para computadores. O arquivo malicioso teria recebido um nome semelhante ao instalador legítimo do software, aumentando a possibilidade de enganar usuários.
O episódio merece atenção por um motivo que vai muito além de uma campanha específica.
Ele representa uma mudança importante na economia do cibercrime.
Durante décadas, criminosos precisaram desenvolver manualmente ferramentas, criar páginas falsas, produzir mensagens de engenharia social e estruturar campanhas de distribuição.
Agora, parte dessas tarefas pode ser acelerada por inteligência artificial.
O problema não está necessariamente na existência da tecnologia.
Está na possibilidade de recursos legítimos serem utilizados de maneira abusiva.
A mesma tecnologia que pode auxiliar uma empresa a desenvolver software com mais eficiência também pode ser utilizada por criminosos para produzir conteúdo malicioso em escala.
Essa dualidade representa um dos grandes desafios da segurança cibernética na era da inteligência artificial.
O que aconteceu e por que o caso é relevante
De acordo com a reportagem publicada pelo Sindpd, criminosos teriam utilizado uma funcionalidade relacionada ao Claude como parte de uma campanha para distribuir malware. A operação teria utilizado recursos legítimos da plataforma para criar uma aparência de legitimidade e aumentar a confiança das vítimas.
O Canaltech acrescenta que a campanha investigada pela Huntress teria utilizado uma página sob o domínio legítimo do Claude e direcionado usuários para um arquivo que imitava o instalador oficial do aplicativo. Segundo a publicação, aproximadamente 29 organizações teriam sido afetadas.
Esse detalhe é particularmente importante.
Em ataques tradicionais, o criminoso frequentemente precisa convencer a vítima a acessar um domínio desconhecido.
Nesse caso, o cenário é diferente.
O atacante procura utilizar a reputação de um serviço conhecido para aumentar a confiança.
É uma evolução da engenharia social.
O objetivo deixa de ser apenas:
“Clique neste link desconhecido.”
E passa a ser:
“Você está acessando um serviço que conhece e confia.”
Essa diferença pode aumentar significativamente a taxa de sucesso de uma campanha.
A confiança como arma cibernética
A segurança digital depende, em grande medida, da confiança.
Quando um usuário recebe um link, ele normalmente tenta avaliar alguns elementos:
-
o domínio;
-
a aparência da página;
-
o certificado HTTPS;
-
o nome do arquivo;
-
a reputação do serviço.
Criminosos sabem disso.
Por esse motivo, procuram construir ataques que pareçam legítimos.
O caso envolvendo o Claude demonstra uma tendência que pode se tornar cada vez mais frequente: o abuso de plataformas legítimas como infraestrutura de apoio para campanhas maliciosas.
O atacante não precisa necessariamente criar toda a infraestrutura.
Pode utilizar serviços existentes.
Isso reduz custos.
Também dificulta determinadas formas de detecção.
O problema passa a ser conhecido, em termos gerais, como abuso de serviços legítimos.
Quando o domínio legítimo deixa de ser uma garantia
Durante muito tempo, usuários foram orientados a observar o endereço de um site.
Essa recomendação continua válida.
Porém, ela já não é suficiente.
Um domínio legítimo pode hospedar conteúdo criado por usuários.
Uma plataforma legítima pode permitir compartilhamento público.
Um serviço legítimo pode ser utilizado para hospedar documentos, imagens ou textos maliciosos.
Por isso, a análise de segurança precisa evoluir.
A pergunta não deve ser apenas:
“Este domínio é legítimo?”
Também é necessário perguntar:
“Este conteúdo é legítimo?”
Essa mudança é fundamental.
O domínio pode ser confiável.
O conteúdo pode não ser.
O problema da confiança em plataformas colaborativas
Muitas plataformas modernas permitem que usuários criem e compartilhem conteúdo.
Essa característica é extremamente útil.
Porém, também cria oportunidades para abuso.
Um criminoso pode tentar utilizar:
-
páginas públicas;
-
documentos compartilhados;
-
repositórios;
-
arquivos hospedados;
-
sistemas de colaboração;
-
links de compartilhamento.
O objetivo é utilizar a reputação da plataforma como um mecanismo de credibilidade.
Esse fenômeno não é exclusivo das ferramentas de IA.
Mas a popularização dos agentes inteligentes cria novas possibilidades.
O papel da inteligência artificial na nova geração de ataques
A inteligência artificial pode contribuir para o cibercrime de diferentes maneiras.
Ela pode facilitar:
-
produção de mensagens personalizadas;
-
tradução automática;
-
criação de páginas convincentes;
-
desenvolvimento de código;
-
análise de informações públicas;
-
automação de tarefas;
-
adaptação de campanhas.
O resultado é uma redução da barreira técnica.
Um criminoso com conhecimento limitado pode utilizar ferramentas automatizadas para realizar atividades que anteriormente exigiam maior especialização.
Isso não significa que a IA tenha eliminado a necessidade de conhecimento técnico.
Mas significa que ela pode acelerar processos.
A industrialização da engenharia social
A engenharia social tradicional depende de preparação.
Um criminoso pode precisar pesquisar uma vítima.
Identificar sua empresa.
Descobrir sua função.
Criar uma mensagem convincente.
Agora, ferramentas de IA podem acelerar parte desse processo.
Um ataque pode ser personalizado para diferentes públicos.
Por exemplo:
-
funcionários de recursos humanos;
-
administradores de sistemas;
-
desenvolvedores;
-
executivos;
-
equipes financeiras.
Cada grupo pode receber uma abordagem diferente.
Essa personalização aumenta a capacidade de exploração das vulnerabilidades humanas.
Por que os profissionais de tecnologia podem ser alvos
O caso é particularmente relevante porque campanhas desse tipo podem mirar profissionais que já utilizam ferramentas de IA.
Um funcionário pode receber uma mensagem dizendo:
“Instale a versão mais recente do Claude para trabalhar com código.”
A solicitação pode parecer plausível.
Especialmente se o usuário trabalha com:
-
programação;
-
DevOps;
-
segurança;
-
engenharia de software.
Esse cenário cria um risco adicional.
Quanto mais popular uma ferramenta se torna entre profissionais, maior pode ser seu valor como tema para campanhas de phishing e malware.
O falso instalador como vetor de ataque
O uso de um instalador falso é uma técnica antiga.
O que muda é o contexto.
Criminosos podem criar arquivos que imitam:
-
navegadores;
-
antivírus;
-
ferramentas de produtividade;
-
aplicativos de videoconferência;
-
clientes de VPN;
-
ferramentas de IA.
O usuário acredita que está instalando um programa legítimo.
Na realidade, está executando um malware.
Essa técnica funciona porque o usuário geralmente não verifica:
-
assinatura digital;
-
hash do arquivo;
-
origem do download;
-
certificado;
-
reputação do instalador.
O malware como etapa final da campanha
Uma campanha de distribuição de malware normalmente possui várias fases.
Uma possível cadeia pode ser representada assim:
Engenharia social
↓
Acesso a conteúdo aparentemente legítimo
↓
Download
↓
Execução do instalador
↓
Instalação do malware
↓
Coleta de informações
↓
Exfiltração
↓
Persistência ou exploração adicional
A IA pode ser utilizada em algumas dessas etapas.
Mas isso não significa que a IA necessariamente execute todas elas.
O caso analisado demonstra principalmente o abuso de uma plataforma legítima como parte da cadeia de distribuição.
O objetivo final: roubo de informações
Segundo a reportagem do Sindpd, o malware utilizado na campanha teria capacidade de roubar informações sensíveis.
Esse tipo de ameaça pode representar riscos significativos.
Dependendo da família de malware, informações roubadas podem incluir:
-
credenciais;
-
cookies;
-
tokens;
-
dados de navegador;
-
informações de sessão;
-
documentos;
-
dados financeiros.
Em ambientes corporativos, uma única máquina comprometida pode representar um ponto de entrada para ataques maiores.
O atacante pode tentar utilizar credenciais capturadas para acessar sistemas internos.
O risco da movimentação lateral
Uma infecção inicial pode parecer pequena.
Por exemplo:
um computador pessoal comprometido.
Mas, se o usuário possuir acesso a sistemas corporativos, o impacto pode aumentar.
Um invasor pode tentar:
-
acessar e-mail;
-
utilizar VPN;
-
entrar em sistemas internos;
-
explorar credenciais;
-
acessar repositórios;
-
comprometer contas privilegiadas.
Por isso, o endpoint não deve ser considerado isoladamente.
A segurança precisa acompanhar o caminho que uma credencial comprometida pode percorrer.
O verdadeiro alvo pode ser a identidade
Em muitos ataques modernos, o objetivo principal não é destruir o computador.
É roubar a identidade digital.
Uma credencial pode permitir acesso a:
-
sistemas corporativos;
-
plataformas de nuvem;
-
ferramentas de desenvolvimento;
-
bancos de dados;
-
serviços de terceiros.
Por isso, ataques de roubo de informações são especialmente perigosos.
O malware pode ser apenas o primeiro estágio.
A importância da autenticação multifator
A autenticação multifator pode reduzir o impacto de credenciais roubadas.
Se um atacante obtiver uma senha, ainda precisará superar outra camada.
Entretanto, nem todos os mecanismos multifator possuem o mesmo nível de segurança.
Métodos baseados em códigos podem ser vulneráveis a determinados ataques de engenharia social.
Por isso, organizações devem considerar mecanismos resistentes a phishing.
Entre eles estão:
-
passkeys;
-
chaves de segurança;
-
autenticação baseada em hardware.
A proteção da identidade deve ser tratada como prioridade.
Privilégio mínimo como mecanismo de contenção
Imagine que um funcionário tenha sua máquina comprometida.
Se sua conta possuir acesso limitado, o impacto pode ser menor.
Se o usuário possuir privilégios administrativos amplos, o risco aumenta.
Por isso, o princípio de menor privilégio continua fundamental.
Cada usuário deve possuir apenas os acessos necessários para sua função.
Isso reduz o impacto potencial de uma credencial comprometida.
O papel do EDR
Soluções EDR podem ajudar a detectar comportamentos anormais nos endpoints.
Um EDR pode identificar:
-
processos suspeitos;
-
alterações de arquivos;
-
persistência;
-
execução incomum;
-
conexões suspeitas;
-
comportamento anômalo.
Em campanhas que utilizam falsos instaladores, a capacidade de detectar o comportamento do processo pode ser mais importante do que simplesmente bloquear um arquivo específico.
Isso ocorre porque o malware pode mudar.
O comportamento pode permanecer semelhante.
O valor da telemetria
Uma organização precisa saber o que acontece em seus endpoints.
Sem visibilidade, o ataque pode permanecer invisível.
A telemetria deve permitir identificar:
-
qual usuário executou um arquivo;
-
qual processo foi iniciado;
-
quais conexões foram realizadas;
-
quais arquivos foram modificados;
-
quais credenciais foram acessadas.
Essas informações ajudam na investigação.
O papel do SIEM
O SIEM pode centralizar eventos provenientes de diferentes fontes.
Por exemplo:
-
EDR;
-
firewall;
-
proxy;
-
identidade;
-
servidores;
-
serviços de nuvem.
Uma atividade aparentemente isolada pode se tornar relevante quando correlacionada.
Um usuário baixa um arquivo.
Depois acessa um sistema incomum.
Em seguida, ocorre uma autenticação suspeita.
A correlação pode indicar comprometimento.
A necessidade de monitorar downloads
Organizações devem considerar políticas de segurança para downloads.
Isso inclui:
-
bloqueio de executáveis não autorizados;
-
análise de reputação;
-
sandboxing;
-
controle de aplicações;
-
filtragem de conteúdo.
O objetivo não é impedir toda atividade.
É reduzir a probabilidade de execução de arquivos maliciosos.
Application Allowlisting
Uma estratégia mais rigorosa consiste em permitir apenas aplicações autorizadas.
Nesse modelo, programas desconhecidos não são executados automaticamente.
Essa abordagem pode reduzir significativamente o risco de malware.
Entretanto, exige boa governança.
Se aplicada de forma inadequada, pode dificultar a produtividade.
O problema do Shadow IT
Funcionários frequentemente instalam ferramentas por conta própria.
Isso pode ocorrer por necessidade profissional.
Um desenvolvedor pode instalar uma nova ferramenta de IA.
Um analista pode baixar um utilitário.
Um funcionário pode buscar um aplicativo para resolver uma tarefa específica.
Quando isso acontece sem controle corporativo, surge o chamado Shadow IT.
O risco aumenta porque a equipe de segurança pode não saber quais aplicações estão presentes.
Governança de ferramentas de IA
Empresas precisam estabelecer políticas claras para o uso de IA.
Essas políticas devem definir:
-
quais ferramentas são autorizadas;
-
de onde devem ser baixadas;
-
quais dados podem ser enviados;
-
quais extensões são permitidas;
-
quais agentes podem acessar sistemas;
-
quais permissões são necessárias.
A ausência de governança pode criar novos pontos de risco.
O perigo de confiar cegamente na marca
Uma das principais lições do caso é que marcas conhecidas podem ser utilizadas em campanhas maliciosas.
O usuário pode pensar:
“É o Claude.”
Mas precisa perguntar:
“Estou utilizando a versão correta?”
“O download veio do canal oficial?”
“O arquivo possui assinatura válida?”
“A instalação é realmente necessária?”
A confiança na marca não substitui a validação técnica.
Como as empresas podem reduzir o risco
Uma estratégia de proteção pode incluir:
1. Controle de aplicações
Permitir apenas softwares autorizados.
2. EDR
Monitorar comportamento dos endpoints.
3. MFA resistente a phishing
Proteger identidades críticas.
4. Gestão de privilégios
Limitar acessos.
5. Filtragem de DNS e web
Bloquear destinos suspeitos.
6. Sandboxing
Analisar arquivos potencialmente perigosos.
7. Monitoramento
Correlacionar eventos.
8. Treinamento
Capacitar funcionários.
9. Resposta a incidentes
Preparar procedimentos.
10. Threat intelligence
Acompanhar campanhas emergentes.
A importância da educação dos usuários
A tecnologia não resolve tudo.
Um usuário pode receber uma mensagem aparentemente legítima.
Pode acessar um link.
Pode baixar um arquivo.
Pode executar um instalador.
Por isso, treinamento continua essencial.
Os funcionários precisam aprender a questionar:
-
downloads inesperados;
-
mensagens urgentes;
-
solicitações incomuns;
-
atualizações fora do padrão;
-
arquivos enviados por desconhecidos.
A inteligência artificial como ferramenta defensiva
Existe um aspecto positivo nessa história.
A mesma IA que pode ser abusada por criminosos também pode fortalecer a defesa.
Modelos de inteligência artificial podem ajudar a:
-
analisar logs;
-
identificar anomalias;
-
resumir incidentes;
-
classificar alertas;
-
auxiliar analistas;
-
pesquisar ameaças;
-
acelerar investigações.
A disputa não será entre humanos e IA.
Será entre organizações que utilizam IA de forma segura e adversários que também utilizam automação.
O dilema da segurança em plataformas de IA
Empresas que desenvolvem sistemas de IA enfrentam um problema complexo.
Quanto mais recursos suas plataformas oferecem, maior pode ser o potencial de abuso.
Uma ferramenta capaz de:
-
gerar conteúdo;
-
criar código;
-
interagir com arquivos;
-
acessar recursos externos;
pode ser extremamente útil.
Mas também pode aumentar os riscos quando utilizada por criminosos.
Por isso, segurança precisa ser incorporada ao projeto.
Abuso não significa necessariamente falha da plataforma
É importante fazer uma distinção.
O fato de criminosos utilizarem uma plataforma legítima não significa automaticamente que a plataforma tenha sido invadida.
Existem diferentes cenários:
Comprometimento
O atacante invade a infraestrutura.
Abuso
O atacante utiliza recursos legítimos para fins maliciosos.
Engenharia social
O atacante engana o usuário.
Exploração
O atacante aproveita uma vulnerabilidade.
O caso analisado parece se enquadrar principalmente na categoria de abuso e engenharia social, conforme as informações públicas disponíveis até o momento. A reportagem do Sindpd descreve o uso de um recurso oficial do Claude, enquanto a investigação citada pelo Canaltech aponta para a utilização de uma página aparentemente legítima e um instalador falso.
Essa distinção é importante para evitar conclusões equivocadas.
A evolução do phishing
O phishing tradicional era relativamente fácil de identificar.
Mensagens com:
-
erros gramaticais;
-
domínios estranhos;
-
imagens de baixa qualidade.
A inteligência artificial pode melhorar esses aspectos.
Agora, mensagens podem ser:
-
bem escritas;
-
personalizadas;
-
traduzidas;
-
adaptadas ao contexto.
Isso torna a conscientização mais difícil.
O usuário não pode depender apenas da identificação de erros.
O novo paradigma: confiança contextual
No futuro, a segurança dependerá cada vez mais de contexto.
Um arquivo pode ser legítimo.
Um domínio pode ser legítimo.
Uma conta pode ser legítima.
Mas a combinação pode ser suspeita.
Por exemplo:
usuário incomum + dispositivo desconhecido + download inesperado + execução de aplicativo + acesso anômalo.
A segurança precisa avaliar o conjunto.
A inteligência artificial como aceleradora do cibercrime
A IA não criou o malware.
Malware existe há décadas.
O que muda é a velocidade.
Uma operação que antes exigia várias pessoas pode ser parcialmente automatizada.
A IA pode ajudar criminosos a:
-
pesquisar;
-
escrever;
-
traduzir;
-
personalizar;
-
programar;
-
adaptar.
Isso pode aumentar a escala das campanhas.
A defesa também precisa acelerar
Se o ataque se torna mais rápido, a defesa precisa responder mais rapidamente.
Isso significa investir em:
-
automação;
-
detecção;
-
inteligência;
-
resposta;
-
integração.
Um SOC moderno precisa ser capaz de analisar grandes quantidades de eventos.
A automação pode ajudar a priorizar.
Mas decisões críticas continuam exigindo supervisão humana.
O conceito de Security by Design aplicado à IA
As plataformas de IA precisam incorporar segurança desde o desenvolvimento.
Isso inclui:
-
mecanismos de abuso;
-
detecção de comportamento malicioso;
-
monitoramento;
-
resposta rápida;
-
canais de denúncia.
A segurança não deve ser adicionada depois.
Ela precisa fazer parte da arquitetura.
A responsabilidade compartilhada
A segurança não depende apenas da empresa de IA.
Existe uma responsabilidade compartilhada.
Fornecedor
Deve proteger a plataforma.
Empresa
Deve controlar o uso.
Usuário
Deve seguir boas práticas.
Equipe de segurança
Deve monitorar.
Governança
Deve estabelecer políticas.
Essa combinação reduz riscos.
O futuro dos ataques com IA
A tendência é que ataques utilizando IA se tornem mais sofisticados.
Podemos esperar campanhas com:
-
maior personalização;
-
conteúdo multilíngue;
-
adaptação automática;
-
maior velocidade;
-
infraestrutura distribuída.
Mas isso não significa que todos os ataques serão autônomos.
A maioria provavelmente continuará combinando automação com operadores humanos.
A ameaça dos agentes autônomos
Uma preocupação crescente é a evolução dos agentes de IA.
Um chatbot responde.
Um agente executa.
Essa diferença é fundamental.
Um agente pode, dependendo das permissões disponíveis:
-
acessar arquivos;
-
executar comandos;
-
interagir com sistemas;
-
realizar tarefas.
Quanto maior a autonomia, maior a necessidade de controles.
Permissões precisam ser limitadas.
Ações críticas devem exigir confirmação.
Atividades precisam ser registradas.
O princípio do menor privilégio para agentes de IA
O mesmo princípio aplicado aos usuários deve ser aplicado aos agentes.
Um agente não deveria ter acesso irrestrito.
Se precisa ler um arquivo, não deve poder alterar todo o sistema.
Se precisa consultar uma API, não deve possuir credenciais administrativas.
Essa abordagem reduz o impacto de abusos.
O caso como alerta para empresas brasileiras
Organizações brasileiras precisam acompanhar essa tendência.
Muitas empresas estão adotando ferramentas de IA rapidamente.
Mas a governança nem sempre acompanha a velocidade.
É fundamental criar políticas para:
-
uso de IA;
-
instalação de ferramentas;
-
proteção de dados;
-
segurança de endpoints;
-
controle de identidades.
A transformação digital não pode ocorrer sem segurança.
Conclusão
O caso envolvendo o uso indevido de recursos associados ao Claude para disseminação de malware representa um importante sinal de alerta para o setor de cibersegurança.
As informações divulgadas indicam que criminosos teriam explorado a confiança associada a uma plataforma legítima de inteligência artificial para criar uma campanha capaz de atingir funcionários de organizações e distribuir malware destinado ao roubo de informações. A investigação citada pelo Canaltech aponta ainda para uma estratégia sofisticada de engenharia social, utilizando uma página aparentemente legítima e um falso instalador para aumentar a credibilidade do ataque.
A principal lição não é que ferramentas de inteligência artificial sejam, por natureza, perigosas.
A questão é mais complexa.
Qualquer tecnologia popular pode ser abusada.
Quanto maior a confiança depositada em uma plataforma, maior pode ser o interesse dos criminosos em utilizá-la como elemento de suas campanhas.
A segurança, portanto, precisa evoluir de uma abordagem baseada exclusivamente na reputação de domínios e marcas para um modelo baseado em contexto, comportamento e validação contínua.
Um domínio legítimo não garante que todo conteúdo hospedado seja seguro.
Um arquivo com nome conhecido não garante que seja legítimo.
Uma ferramenta popular não deve ser instalada a partir de qualquer fonte.
E uma credencial válida não deve ser considerada automaticamente confiável.
Para as organizações, a resposta passa pela combinação de controles técnicos e processos.
EDR, SIEM, MFA resistente a phishing, menor privilégio, controle de aplicações, monitoramento de downloads, segmentação, inteligência contra ameaças e treinamento dos usuários precisam atuar em conjunto.
Também é fundamental estabelecer uma governança específica para ferramentas de inteligência artificial.
À medida que plataformas de IA se tornam mais poderosas e passam a executar tarefas cada vez mais complexas, a segurança precisa acompanhar essa evolução.
O episódio analisado mostra que o futuro da cibersegurança será marcado por uma disputa entre automação ofensiva e automação defensiva.
Os criminosos utilizarão IA para aumentar velocidade, escala e personalização.
Os defensores precisarão utilizar a mesma tecnologia para acelerar detecção, investigação e resposta.
Entretanto, existe uma diferença essencial.
A inteligência artificial não elimina a responsabilidade humana.
Ao contrário, quanto mais autônomos se tornam os sistemas, mais importante é definir limites, permissões e mecanismos de supervisão.
A grande lição desse incidente pode ser resumida em uma frase:
Na era da inteligência artificial, segurança não significa apenas proteger sistemas contra invasões; significa também impedir que recursos legítimos sejam transformados em instrumentos de ataque.
O desafio das organizações será construir um ambiente no qual a inovação possa avançar sem permitir que a confiança depositada nas novas tecnologias se transforme em uma vantagem para os criminosos.
Nesse novo cenário, a cibersegurança precisa ser baseada em três princípios fundamentais: verificar, limitar e monitorar.
Verificar antes de confiar.
Limitar antes de conceder acesso.
Monitorar mesmo quando tudo parece normal.
Essa combinação será cada vez mais importante em um mundo onde a diferença entre uma ferramenta de produtividade e um instrumento de ataque pode estar menos na tecnologia utilizada e mais na intenção de quem a controla.
Referências bibliográficas
- Sindpd-SP. Função do Claude é usada por criminosos para disseminar malware. A publicação aborda a campanha de cibercrime que teria utilizado um recurso associado ao Claude para distribuir malware e atingir funcionários de organizações. Acessar a matéria original do Sindpd-SP
- Canaltech. Até a URL era real: golpe usou site do Claude para infectar PCs. Reportagem complementar sobre a investigação da Huntress e a utilização de uma página aparentemente legítima e de um falso instalador como parte da campanha. Acessar a reportagem do Canaltech








